terça-feira, 17 de novembro de 2015

VÍTIMAS

Hoje eu só vim dizer algo bem rapidinho: vivemos num mundo de vítimas! E enquanto for assim, assim será. 

E o pior é que a maioria das pessoas não tem ideia do que é ser protagonista, e quando tentam, se tornam mais vítimas (ou então só enchem o saco dos outros mesmo). 

De volta à espreita, para que eu não seja vítima de mim mesma.


Ps: Isso nada tem  ver com as tragédias do momento, isso é sobre você (e eu) na sua vida, agora mesmo. 

By Urban Fox

terça-feira, 10 de novembro de 2015

UMA BREVE REFLEXÃO

O que eu acho curiosos sobre os humanos, pintinhos e afins, é que eles realmente acreditam estar levando vantagem, que estão ganhando algo quando supostamente medem forças uns com os outros. "Eu venci!", dizem eles após um embate vazio, sem perceber que esse momento é aquele em que eles mais estão perdendo, afundando num sono profundo, se satisfazendo com a mediocridade da vitória mundana que irá cobrar um preço muito mais caro ao longo do caminho.

By Gray


terça-feira, 3 de novembro de 2015

PARA AQUELES COM COMPLEXO DE MESSIAS




"Converta-se no seu próprio Mestre e deixe os demais serem o que têm a capacidade de ser" (TEXTO TAOÍSTA). Mesmo que eles não tenham capacidade alguma. Sim, muitos pintinhos irão perecer antes mesmo de virarem frangos. E sabe do que mais? Não há nada que você, eu, ou o Galo Mor (entidade suprema dos pintinhos crentes) possa fazer.  

Repita: não posso salvar ninguém, não posso salvar ninguém, não posso salvar ninguém além de mim mesmo. 

Esse é o meu mantra, afinal, nem a luz de cem velas vai fazer um cego ver (quanto mais enxergar). 

"So live and let die". 

Por hoje é só.

By Gray 



quarta-feira, 28 de outubro de 2015

UM SONHO AZUL


Ultimamente não tenho sonhado. Será? 

Quando eu durmo, quando acordo, quando tento dormir. Mas os sonhos não vêm mais. 

Talvez porque eu esteja presa numa espécie de pesadelo. Sim, essa realidade cotidiana é um pesadelo leve. Não tem monstros oníricos, nem seres com garras de aço correndo por corredores, querendo arrancar seu coração, onde então você acorda, sobressaltado e suado. 

Mas esse pesadelo em que vivemos é leve - pelo menos para aqueles que não estão em guerra, ou afogados em doenças terminais, ou outro horror qualquer. Ele não nos deixa acordar, ele não faz soar o alarme de que algo está muito fora do lugar. Mas eu pressinto o seu horror moderado, escondido nas paredes, nas repetições diárias, nas filas de carros lá fora, nos rostos dos pintinhos que se revoltam mas não conseguem ir além, pois sua revolta é superficial, sempre contra um inimigo artificial. Eles gritam, eles piam, mas eles só fazem dissipar energia e nunca lutam de fato contra o que deveriam. Porque os pintinhos piam? Poque seu sono foi incomodado. Os pintinhos piam não para acordar, mas porque querem continuar dormindo. A raposa invade o galinheiro e eles não lutam contra ela para não serem comidos, mas porque gostariam de continuar dormindo, que elas os coma em silêncio.  

Os pintinhos não querem ser águias. Fato. É muito dolorida essa transmutação. Eles preferem a dor cotidiana, essa escravidão disfarçada, uma chicotada por semana, uma dor crônica mas suportável. Eles até te agradecem se você os comem lentamente sem que eles se apercebam. Primeiro, a capacidade de pensar de forma independente, depois, a capacidade de questionar, por fim, eles têm a alma devorada. Então, os pintinhos caminham voluntariamente para a granja. 

Eles preferem isso a rasgar a pele de pintinho e descobrir que por baixo tem algo mais: um dragão, uma raposa, um lobo, uma águia. Mas dói, e as penas amarelinhas parecem tão confortáveis. 

Red Fox me disse certa vez: "Não tenha pena dos pintinhos, eles já têm muita pena de si mesmos, eles já têm muitas penas. Não tente fazê-los acordar, porque eles vão querer te bicar, e então você vai considerar comê-los e comer pintinhos tão fracos, vai te deixar muito mal acostumada".  

Mas o problema é que estou presa no mesmo pesadelo que eles, e eles não são bons colegas de pesadelo. Mas ficar aqui reclamando dos pintinhos já é dar muita atenção, é desfocar meus esforços do meu verdadeiro inimigo, aquele que também gostaria de dormir mais tempo, aquele que também gostaria de não ser incomodado. Se tem uma coisa importante que Gray me falou é que dentro de cada raposa existe um pintinho louco para assumir o comando, louco para não fazer mais esforço, louco para ser devorado lentamente, como o sapo que cozinha lentamente sem perceber, e então não pula para fora da panela. Gray, aquela que já comeu seu próprio pintinho, me disse isso: "Querida Blue, você só acorda de verdade, quando come a si mesma, mas não basta engolir, é preciso trucidar sem pena, digerir. Enquanto você continuar mantendo o seu pintinho inteiro na barriga, ele não irá parar de te bicar". Mas é tão difícil matar o pintinho, quando o pintinho sou eu. 

Mas, para minha sorte, eu tenho minhas três companheiras, e Urban sempre está aqui para me lembrar de que mesmo no sonho eu preciso estar acordada. Urban, aquela que se esgueira pela cidade, aquela que passa desapercebida pelos pintinhos sonâmbulos. Ela me disse rindo - sim, Urban não tem muita compaixão, ela diz que "com-paixão" é tirar um prazer sádico em compartilhar a desgraça, é gostar tanto de sofrer que se sofre pelos outros, e isso não resolve nada, ela diz, nem o problema dele nem o seu -, retomando, ela me disse rindo: "Sabe por que eles fazem tanto filmes e séries sobre zumbis? Não porque eles se veem como os heróis caçadores de zumbis, mas porque eles sabem que no fundo eles são os zumbis, e não adianta correr, não adianta fugir. Veja como eles se retratam, uma vez zumbi, não tem volta. Tão burrinhos!" 

Infelizmente, esse sonho é muito real e continuará sendo enquanto todo dia ainda for hoje, e todo dia eu ainda for eu mesma, como diria um velho amigo que não está aqui entre as raposas, mas ainda uiva em uníssono ao alcance dos meus ouvidos.  

By Blue Fox




terça-feira, 27 de outubro de 2015

OBRIGADA, PINTINHOS!




















Os pintinhos desse mundo me cansam, as ovelhinhas também. 
Se reproduzem aos montes, pensam que são leões e acabam na boca do lobo.
Eu não luto contra pintinhos, porque isso faria de mim um frango.
Eu luto contra mim mesma.
Mas eu às vezes me esqueço do que eu deveria fazer. 
Então os pintinhos me lembram.
A minha luta não acabou.
Obrigada, pintinhos!

By Red Fox




domingo, 30 de agosto de 2015

DESINTELIGÊNCIA PROGRAMADA



De vez em quando eu tento pensar em algo suficientemente inteligente para escrever e atrair a sua atenção. Mas o que atenção tem a ver com inteligência no final das contas? Nada. Quantas vezes eu fui enganada por ela? A inteligência. E o pior, ela ludibriou minha atenção.  A coisa toda fica mais divertida quando a inteligência se alia ao ego para te fazer de besta.Divertida para eles (ego e adjacências), não para você, que fique claro. A inteligência alimentando o ego, até ele ficar obeso. Ah! que delícia. 

Experimente chamar um inteligente de burro. Vá lá, eu espero...

E aí? Viu que legal? Ele se contorce todo, cospe seu conhecimento intelectual, provando a sua incrível genialidade. E você, seu burro, não se atreva mais a ofendê-lo. Sacode as banhas do conhecimento!

Me diz aí: quanto tempo você já perdeu lendo livros inúteis, só porque aqueles livros eram o que todos os inteligentes deviam ler?

Talvez você seja um escravo da inteligência da mesma forma que aquele outro é um escravo dos bíceps malhados, e sua vizinha é escrava da chapinha. Eu sei que agora você está dizendo: "como ousa me comparar? Pelo menos eu sou útil."

Será? Útil a quem? Útil ao quê? Útil talvez, ainda assim, escravo. Todo escravo é útil para alguma coisa, menos para ele mesmo.

Não quero dizer que é bom ser burro ou ignorante, mas fique esperto. Ou melhor, desperto.

By Grey Fox


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Fim dos Tempos


Fim de tarde, a sensação de pré-apocalipse me acompanha. Olhe para o céu pegando fogo e imagino um meteoro cobrindo a cidade. Monstros de tentáculos brotam e engolem carros. Uma onda de conforto morno me invade. O mundo está acabando, sendo consumido por seus próprios fantasmas. Eu estou aqui, no centro de tudo, admirando, não o mundo novo que virá (virá?), mas o fim dos tempos.

Eu sei que o tempo acabou há muito, se é que já existiu. Uma ilusão, mas o que não é? Eu sei que não é o tempo que se acaba, mas eu. Essa pequena raposa cinza sente a chama que a consome da ponta da cauda e sobe. Talvez eu seja mais um dos monstros a engolir os carros. O meu monstro. 

Eu estou me consumindo, e logo só restarão cinzas, e logo não restará. É agora difícil colocar em palavras esse puro contentamento. 






By Gray Fox


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Fui ali mas volto já (não fui comprar maracujá)

Estou por aí observando uns pintinhos.
Volto logo.
Mas não me esperem.

As outras raposas estão em dimensões paralelas no momento e não me deram o ar da suas graças, então não posso falar por elas.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Os Segredos do Universo Revelados

ou REVELAÇÕES 


Eu escuto vozes e zumbidos. E daí? Elas nunca se dignaram a me soprar os segredos do universo, por isso tive que inventar todos. Um por um. E prometo contá-los a vocês, caros pintinhos, assim que conseguir mE decidir quais são os mais confiáveis, dentro da escala de confiabilidade de uma raposa.

Eu também sinto cheiros estranhos. Agora mesmo eu sinto cheiro de rebanho no pasto, seguindo a manada. Eu gosto daqueles que seguem. A Urban Fox também, ela me disse que ama os pintinhos que seguem, especialmente se for para sua boca. Ela está sempre com fome, e eu com sono. Ou seria o contrário e eu já me esqueci? Ah, vai no fluxo, vai. Deixa a vida te levar. Não questione nunca.




Pronto, já revelei dois segredos do universo sem querer. E nem cobrei por isso, porque eu sou muito boazinha. Mas eu não revelei O Segredo. Esse já foi contado naquele filme (ou será que foi no post passado?). E foi seguindo a Lei da Atração que eu cheguei aqui, sabiam? Porque tudo o que eu mentalizo se torna realidade, e foi assim que descobri os segredos do universo. Na última vez que eu contei eram 100, ou seriam 50?

Eu descobri por exemplo, que para raposas voarem, elas só precisam de asas.
Eu descobri que os pintinhos tem asas mas não sabem voar.
Eu descobri que quanto mais secreto o segredo, mais você já sabe ele, sem saber que sabe.

By Blue Foxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

terça-feira, 30 de junho de 2015

O Segredo do Universo





"It's a tricky tricky this little one too
What if it is a lunatic we'll name it after you
Put it in your pocket and pick it up
We're here to entertain
Show them what you've got"
(trecho de Tricky Tricky, by Röyksopp)


A história da minha vida! Não parecem fazer sentido nenhum, um amontoado de frases malucas, mas que no final escondem o segredo do universo. Que na verdade não é grandes coisas. O segredo do universo vem sendo supervalorizado desde que foi esquecido. Mas ele está na sua cara, todo mundo vê, mas não sabe ler.


By Blue Fox

segunda-feira, 29 de junho de 2015

VEM PINTINHO, VEM!


Te esperando de bocas, ops, portas abertas!


O ENIGMA DO CORAÇÃO

Podia ser o título de uma música brega...mas é só o Castaneda


"Essas três áreas de habilidade são os 3 enigmas que os xamãs encontram em sua busca ao conhecimento:

"A mestria da Consciência é o enigma da mente; a perplexidade que os xamãs experimentam quando reconhecem o mistério espantoso e o alcance da consciência e da percepção.

"A arte da Espreita é o enigma do coração; a perplexidade que os xamãs sentem ao se tornarem conscientes de dois fatos: primeiro, que o mundo parece para nós inalteravelmente objetivo e factual por causa das peculiaridades de nossa consciência e percepção; segundo, que, se diferentes peculiaridades de percepção entram em jogo, as mesmas coisas desse mundo que parecem tão inalteravelmente objetivas e factuais mudam.

"A mestria da Intenção é o enigma do espírito, ou o paradoxo do abstrato ; os pensamentos e ações dos xamãs, projetados além de nossa condição humana."

Carlos Castaneda - O Poder do Silêncio



domingo, 28 de junho de 2015

AGORA VOCÊ ESTÁ AQUI




11:30, um horário aleatório. Eu sabia que estava enlouquecendo porque o mundo estava ficando estranho. O mundo desce, e você desce ladeira abaixo com ele. Eu estava caindo. Ainda assim tudo estava congelado, eu havia congelado a queda no momento crucial, antes de bater nas pedras no fundo do abismo, e agora vivia o dilema: voltar a girar a roda do tempo e me desfazer de encontro ao chão, ou segurar aquele momento por uma infinitude de não-momentos até que, talvez, algo mudasse e eu conseguisse alterar o curso das coisas.

11:35, tentei contactar você. Óbvio que você não respondeu, mas creio que você sabia que eu estava a sua procura. Sei que você não conseguiria me oferecer uma solução, mas eu queria companhia na minha agonia. Eu olhei em volta, e era sempre um deserto de expandindo em todas as direções,  uma pedra aguda apontava na minha. Ah, o inevitável! Ainda assim eu queria alguém para segurar minha mão, cair comigo, assim como eu gostaria que um dia, eu fosse capaz de acordar, e que eu não estivesse só.

11:11, eu voltei um pouco no tempo, mas a situação era a mesma, se expandindo para frente e para trás em todos os minutos já vivido e entre eles. Eu já sabia que estávamos invariavelmente sós. Você no seu próprio momento de agonia, eu no meu. Uns caindo infinitamente, com o chão sempre a um segundo do esfacelamento do crânio, outros secando no deserto, a um passo da última respiração. E os que se afogam sempre no limiar daquela última inspiração líquida que irá apagar todos os seus pensamentos.

Agora você está aqui...






























Me mande uma mensagem.

By Blue Fox

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Abaixo as Calmarias

Ou porque elas matam mais que a guerra


Detesto as calmarias, não pela calma em si, mas porque são um engano. Elas são a melhora antes da morte. Não confio em calmarias porque elas não são a transcendência, elas só aparecem para te iludir, te dar falsas esperanças -  que fique aqui registrado que todas as esperanças são falsas.


Não que eu ame a guerra, mas pelo menos ela te obriga a ficar alerta. Não existem ilusões na luta, quer dizer, depende pelo que você está lutando, depende contra quem você luta, infelizmente a ilusão é uma praga que se infiltra em qualquer coisa. 



Mas é importante lembra que a explosão cega não é batalha, é apenas descontrole, perda de energias. Toda luta deve estar sob o seu controle, não que isso seja possível neste momento, mas devemos treinar para que se torne.



O engraçado é que quando lutamos, desejamos a paz, mas tudo o que conseguimos é a calmaria, o simulacro da vitória, o simulacro da conquista, o acomodamento que irá por fim te pegar dormindo, com as calças nas mãos, de guarda baixa, e você nem irá perceber.



Abaixo a calmaria! Em guarda!

By Red Fox

terça-feira, 9 de junho de 2015

VÁ DORMIR

Sei que não vemos o que está aí. vemos apenas o que podemos enxergar. Isso todo mundo sabe, mas eu vou falar mesmo assim, porque você não vai escutar.

Tem coisas que eu vejo sozinha, como os pequenos vermes consumindo as minhas horas, por exemplo.  E tudo isso acontece, porque eu não estou aqui, presente na minha própria vida. E você, onde você está agora? Não me responda aqui, isso eu já sei. Todo mundo está aqui. Mas quando? 

As coisas que eu vejo acompanhada são as mais intrigantes porque são as mais comuns. Por que escolhemos todos ver isso juntos? Escolhemos? Sei que existem mil respostas já dadas, mas eu não quero essas. Quero aquela, a que ninguém descobriu sob pena de destruir os mundos. 

Eu não tenho muito a oferecer, só dúvidas e perguntas. Mas dizem que a pergunta bem formulada já é a resposta. Não quer dizer que eu as formule bem, mas pelo menos são genuínas. 

Agora, eu quero muito saber o que acontece quando todas as respostas são respondidas. Será que eu estarei satisfeita quando não houver mais nada o que perguntar? 

Levarei essas questões para o travesseiro, vou dormir com elas, é só o que posso fazer agora. 

Dica: vá dormir acordado.

by The Gray One

terça-feira, 26 de maio de 2015

Delírios

E então? Quem eu serei hoje? tenho sono, e quando tenho sono, perco o controle. Nada bom. Nada bem, mas espreitar não é necessariamente ter controle. Pelo menos não essa noção de controle que existe na sociedade. Eles confundem controle com repressão. Repressão não é espreita.

E o que é espreita? Se eu soubesse com certeza, não iria perguntar, nem iria escrever em um site com esse nome. Nunca escrevemos sobre aquilo que temos certeza, isso é perda de tempo. Escrevemos sobre o que queremos investigar.

Sim, pintinhos, eu não pretendo guiá-los no caminho da espreita. Na verdade, eu só estou me guiando. Por isso, andar comigo é perigoso (além do fato de vocês serem pintinhos e eu ser uma raposa com fome).

E hoje, eu, que sou louca e descontrolada, estava pensando sobre a loucura controlada. Quantos termos maravilhoso nos passou esse tal de Don Juan, não? E o mais belo: loucura controlada, já me vejo tatuando isso no meu pulso, bem ao lado da velha tatuagem quase desbotada que diz: "Estou sonhando?" Boas lembranças dos tempos em que eu ainda fazia o teste de realidade. Mas o mundo acabou, e daí? Eu ainda continuo vivendo nele.


By Blue fOx


Vem pintinho, vem. ;)

sexta-feira, 15 de maio de 2015

ATENÇÃO!


"Preste atenção. Prestar atenção é tudo. Atenção é vitalidade. Te conecta com os outros. Faz de você desejoso. Fique desejoso." 
Susan Sontag

domingo, 10 de maio de 2015

POSTERGANDO

Estou aqui, andando em círculos, fugindo do meu próprio rabo. O tempo passa, a noite avança, enquanto eu evito o inevitável. Será que eu me vicie nesse incômodo? Que gratificação seria possível de se obter quando se vê a sua energia escorrendo pelo ralo.

Tudo dói de manhã. Meu corpo me escapa, meu ossos estão cansados. Entre o balanço entre fazer o que se quer e fazer o que se tem que fazer, eu não faço quase nada. 

Enquanto isso eu oro por algo visceral e fatal, final. Aquele momento em que todos abriríamos os olhos e acordaríamos juntos. Mas eu checo de hora em hora, estamos todos dormindo. Todos espalhados, em camas diferentes, em diferentes espaços. Alguns em diferentes mundos. 

Nada de emocionante acontece. Que luta estranha à qual nos entregamos. Não cruzamos espaços, não lançamos bolas de fogo, não corremos em campos abertos enquanto estripamos os nosso inimigos. Ah, a glória banhada no sangue de outros!
 
Mas escolhemos como campo de batalha os nosso próprios corações. Vigiamos nossa própria sombra e nos banhamos no nosso próprio sangue. E não fazemos isso bem. Somos tortos, incertos, mal acabados. Temos fome e preguiça, medo, vaidade. Cite um pecado capital e nós estamos dentro.

By Red Fox
  

quinta-feira, 7 de maio de 2015

EM VOZ ALTA


O problema não é querer ou não querer
O problema é não poder querer
Não podendo querer, você quer mais
 Ao silenciar o que se quer
É como eu já ouvi falar:
"Ao que você resiste, persiste"

Então tudo o que quiser, queira em voz alta
Não deixe que nada cresça na surdina em seu coração

by Urban Fox 

sexta-feira, 1 de maio de 2015

sábado, 11 de abril de 2015

BLUE FALA


Eu gosto da poesia porque não preciso fazer sentido com ela. Eu gosto de colar palavras, escolhe-las, amá-las e colá-las umas as outras num eterno abraço de frases. Depois eu observo o sentido oculto se revelar. Mas ele só se revela a quem souber perguntar.

Eu vivo na bruma densa dos meus próprios pensamentos. Eles flutuam como se fossem consciências apartadas do meu coração. Como bolhas de sabão que eu posso estourar. Às vezes eu deixo eles se incorporar, e esqueço de quem sou. Então séculos se passam até que eu possa recobrar a memória. 

Meus amigos mais próximos são incorpóreos. Eles se solidificam afastados no espaço, mas não no tempo. O universo nos separa, porque como seria se todos nós pudéssemos nos colocar fisicamente em círculo? Haveria um desalinhamento, planetas sairiam de suas órbitas ou talvez fossemos apenas engolidos pelos nossos próprios buracos negros. Por isso viajamos sem corpo, nos espaços virtuais e construímos castelos de areia, mas não moramos neles, porque castelos devem ser abandonados às ondas.

Quando meu corpo tem sono, ele tenta me enganar. Mas eu pulo de um sonho a outro tentando escapar da esmagadora gravidade que nos prende àquilo que nos devora. 

by Blue fOx




quinta-feira, 9 de abril de 2015

QUANDO EU CRESCER




QUANDO EU CRESCER

Quando eu crescer, eu quero ser um habitante da floresta
Correr pelo musgo de salto alto
É isso que irei fazer, atirando bumerangue
Esperando que ele retorne para mim

Quando eu crescer, eu quero viver perto do mar
Garras de caranguejo e garrafas de rum
É isso que eu terei, encarando a concha
Esperando que ela e me envolva

Eu coloco minha alma no que eu faço
Na noite passada eu desenhei um homem esquisito
Com olhos escuros e uma língua pendurada
Isso vai mal, eu nunca gostei de um olhar triste
De alguém que quer ser amado por você

Eu sou muito boa com plantas
Quando meus amigos estão longe
Eles me deixam manter o solo úmido
No sétimo dia eu descanso
Por um minuto ou dois
E então eu me reergo e choro por você

Você tem pepino nos olhos
Tanto tempo gasto em nada
Esperando o momento surgir
A face no teto e os braços tão longos

Eu espero que ele me capture

BY FEVER RAY

O mais engraçado disso tudo é que eu nunca irei crescer. Então não posso esperar. Só me resta o agora. O momentum. Eu pulo no abismo, não por que tenho coragem, mas por compulsão. Não tenho escolha. Eu sou uma raposa louca, sou um lobo, uma coruja caçando um rato. Eu sou o rato. Mergulho na água fria mesmo sabendo que ela irá me cortar a carne. Aqui, nesse outro mundo, meus pelos não me protegem. Eu preciso me manter viva para o que está, não para o que virá. Eu subo a superfície, respiro. Seria mais fácil se eu fosse um golfinho. Eu sou um golfinho, um lobo do mar, uma foca. 

Eu não posso esperar. Só me resta espreitar. E eu espreito o espreitador. É só isso o que importa no final.

By Urban Fox 

sexta-feira, 3 de abril de 2015

PRIMEIRO DE ABRIL PASSOU

Por que mentir em primeiro de abril se eu tenho todos os outros dias do ano? Se bem que eu não minto, eu dissimulo, espreito.

By Urban Fox

sábado, 28 de março de 2015

Vagando

Inquieta, vasculho a noite. Estendo meus tentáculos para além das paredes. Procuro. Não acho nada. Respiro. Minha coluna dói. O que estou fazendo aqui? Olho em volta. Não quero notar nada, mas me obrigo. Muitas coisas estão fora do lugar. E eu faço A Pergunta: como foi que eu cheguei até aqui? Eu não planejei isso. Esse é o problema: eu não planejei. Preciso planejar. Preciso conduzir.

Estou cansada. Fico resistindo ao sono. Testando forças com ele. Não é um bom jogo. Boa noite.

By Urban Fox

WHAT DOES THE FOX SAY?

Não há mais ninguém aqui. As vozes calaram-se. Só eu e minha imaginação. Eu a vejo surgir desfocada, como que vindo do horizonte, o calor sobe do chão. Meio-dia. Miragem. Coço os olhos. Não pode ser! ela nunca sairia da toca ao meio-dia. Mas saiu. Só que era meia-noite e eu havia me enganado. Não era ela ainda. Onde ela estaria dormindo agora?

Devo ter bebido muito café. Deve ser alguma espécie de alucinação. A pequenina raposa vermelha me encara fixamente enquanto eu escrevo. Ela sussurra coisas, sou encantada, ela diz. Onde você estava ontem à noite? Eu preciso que você escreva sobre tocas, esconderijos, e espreitas. Sem espreita eu não chegaria até aqui. Uma raposa urbana precisa de muita arte para sobreviver.
Ela pisca seus olhos amarelos. Até poderia ser um cão de uma raça exótica, mas não é. Ela acomoda sua cauda envolta do corpo pequenino que parece diminuir com o gesto. Ela continua falando. Sabe o que tirei no I-Ching ontem? “Três raposas são capturadas nos campos. Recebe uma flecha amarela.” Sei que não deveria falar com ela, mas arrisquei perguntar: e o que isso significa? Não posso dizer, ela respondeu, eu era a quarta raposa. Tire suas conclusões.

Quem era as outras três? Elas eram e eu estou aqui. Tenho sono, meu corpo dói, e eu não vejo nada além do meu umbigo. Por mim todo o mundo poderia se apagar agora. Piscando. O que se faz quando se está cansada e o caminho está no meio? Você se materializa e se mistura à multidão, com sorte passa despercebida. Eles pensam que sua cauda é um rabo-de-cavalo e que você bem poderia ser alguém. É como o Diabo vestido de gente tentando esconder os cascos.

Os dias estão todos cegos, sabia? Seus olhos secaram quando pariram o mar. Eu roubei o fogo de Prometeu e o transformei em pelo. Fulgurante e invisível. Não é engraçado? E assim ela prosseguiu a noite toda e por vários dias. E para aqueles que perguntaram, é isso o que a raposa fala. Ah, é claro que ela também cantou aquela música absurda.


By Blue Fox – A Sonhadora


quarta-feira, 18 de março de 2015

ESPREITA S/A

Espreitar a si mesmo. Observar-se em cada ato e, ainda assim, vivê-lo. Focar dentro e estar fora ao mesmo tempo. Tomar posse plena do corpo: célula a célula. Tomar posse plena da mente: pensamento por pensamento.

Arrisca-se perder a sanidade. É isso mesmo o que queremos; o enlouquecimento consciente, a loucura controlada. Se reconhecermos que já estamos mortos, porque deveríamos nos preocupar em enlouquecer? Propomos que nos ocupemos disso. Afinal, o que é mais insano do que o cotidiano? E isso você aceita como realidade. E isso você aceita como normal. Será que você já não está louco?

Enlouquecendo controladamente talvez você esteja, de fato, recobrando a sua sanidade.

Tudo no mundo quer nos engolir, inclusive nosso próprio "eu", mas você já deve saber que é o seu pior inimigo e o principal. E tudo no mundo conspira para que seu "eu" te domine, te absorva tão completamente até que aquilo que você deveria ser - e em certa instância já é - esteja subjugado, amedrontado, perdido e desconectado. Você não escuta a sua própria voz. As vozes na sua cabeça, aquelas que se passam por seu pensamento, já não são suas. A sua mente é dissociada da sua alma. É esse ser alienígena que te domina, daí tanta paranoia sobre implantes  e chips extra-terrestres. As pessoas sentem o que está acontecendo e o reveste de uma monstruosidade que vem de fora: é um outro ser que me invade contra a minha vontade.

Na verdade, você é o maior cúmplice daquilo que te devora. Você se permite ficar adormecido, se permite ficar inconsciente. A inconsciência é doce e acolhedora, como o morcego que lambe a sua ferida, anestesiando-a, enquanto suga o seu sangue.

Nada dito aqui é novo. Nada aqui foi pensado agora por nós. Muitos vieram antes e muitos virão. Somos gotas pingando lentamente num rochedo, enquanto o resto do mar balança em adormecimento. Mas também somos o rochedo que resiste a insistência da água. Resistimos à dissolução, resistimos a nos transformar em areia, nos iludindo com a solidez da pedra.

By Urban Fox